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  • Foto do escritorGabriel Noboru Ishida

Estilo Decor - Geração Y ou Millennials

Atualizado: 18 de jan. de 2023

Aconchego eletrônico dos Millenials, nascidos entre 1980 e 1995


Uma geração nascida junto com a primeira leva de alta tecnologia efetiva: computadores domésticos e internet.

Para compreender este estilo de decoração, em cada país, seria necessário compreender as circunstâncias locais, e como isso influenciou a moda e o design em geral, incluindo o de interiores.


Atualmente, esta geração em alguma boa porcentagem já está vivendo fora da casa dos pais, são jovens adultos, mas não no início dramático da carreira econômica - apesar de ainda não todos resolvidos: também é uma geração onde boa parte permanece por mais tempo com os pais, por aumento cultural do período da adolescência e fase inicial adulta - mais informação, maiores dificuldades econômicas, excesso de opções, e maior longevidade!

Estes aspectos são importantíssimos para se categorizar este estilo, que vai ser marcado com elementos icônicos, no layout na logística, com a presença de itens como mesas para computadores e uma configuração onde a comunicação ocorre em outro nível! Certamente. Além disso, acessórios tecnológicos estarão presentes na construção de cozinhas, salas de TV, etc. Para os mais abastados, uma boa dose de integração tecnológica residencial - também chamada de automação, poderá interferir em elementos decorativos e nas próprias possibilidades de iluminação e geometrias.


Touch ou botão de k7, do 3 em 1?


Os anos 80 provavelmente foram, no imaginário do coletivo internacional, os mais violentos que já existiram. Rumores de guerras e guerras reais. Brinquedos militares - Comandos em ação, Falco, heróis guerreiros de desenhos animados. Músculos e mísseis por todos os lados.

A transição de um mundo dominado pelo medo do holocausto nuclear, gangues, punks, violência urbana e forte influência do aspecto masculino na geração anterior para o mundo do software foi gradativa. O botão duro e barulhento, do player de fita k7, do aparelho de 3 em 1 (vinil, k7 com gravador e rádio...) para os botões macios dos nokias indestrutíveis, e depois para o estranho e estático botão das telas de altíssima resolução dos smartphones, refletiram as transformações do mundo. E nesse caminho, estão os Millenials.

Dessa forma, é correto inferir que toda a estética e motivações dessa geração (Millenials ou Geração y) estão exatamente situados entre a próxima geração Z, e a anterior X. Menos expostos ao contexto dos anos 80, mas também não completamente imersos num mundo onde o analógico é um elemento estranho. Restaram poucas coisas com botões sólidos e reais. A maioria, é digital e touch, virtual: simulados. E isso interfere em toda a imagética e imaginário dessa geração, assim como nos padrões de cores e percepções de texturas.


High-tech ou analógico?


Entretanto, apesar dos pontos citados, ainda é uma geração que cresceu onde a maior parte dos componentes fazem parte de um mundo construído sem altíssima tecnologia, e portanto, contendo componentes ainda analógicos (lustres, spots convencionais, sancas de cordão de filamento, etc) ainda que depois estes elementos sejam substituídos por alguns de melhor tecnologia como os leds. Então, ao exemplo das luminárias e suas lâmpadas, o elemento final é mais tecnológico (no caso a lâmpada, e não seu articulador).


Formalmente, encaixa-se dentro do estilo pós moderno, que é tudo após o moderno até atualmente, mas nem tanto - eu arriscaria dizer que até o ano 2010.

E como tecnologicamente o pós moderno não está tão distante assim do modernismo, o pico de mudanças vem acontecer na próxima geração. Esta é transição, a geração Y.


Financeiramente salvo... ou quase


Ainda que muitos não estejam totalmente resolvidos e muitos já tenham a vida plena, em termos teóricos, e pelas faixas etárias, pode-se dizer que são pessoas que já chegaram na etapa de assentar a alma inquieta para decorar a casa para família e para si mesmos. Mas não de forma abastada - o que se pressupõe ser mais uma característica da Geração X, a imediatamente anterior.

Também se caracteriza por ser uma geração onde a idade pré-adulta esticou um tiquinho em relação aos "boomers" - que não são boomers, é só giria mesmo dos millennials - ou seja, são casas joviais e alegras, rascuhando o adulto efetivo (revisado o escrito em janeiro de 2023...).

Essa opinião pode ser válida para pessoas da Geração X e anteiores. Mas para os da próxima geração, podem ser considerados totalmente desatualizados - o que é um equívoco, e um péssimo ponto. As coisas não podem durar tão pouco, e nem serem julgadas tão levianamente. Se os softwares implantam esta idéia no público para venderem todos os anos novas versões, e inclusive, obrigarem as pessoas a trocarem aparelhos telefônicos, o mesmo não se pode dizer das residências. Mas opiniões existem, e não temos autoridade nem controle delas.


A velocidade de update atualmente está gritante, e esse conceito e sentimento permeia tudo ao nosso redor.

Por isso, o estilo de decoração desta geração, que em parte está salva financeiramente, ainda apresenta (neste momento em que estou escrevendo este artigo e um ano depois, revisando-o em jan/2023) características provisórias ou estilísticas, emocional e ideologicamente inconclusas. Demonstram claramente sua atmosfera temporária, com móveis de estilo improvisado ou muito baratos e descartáveis, como elementos icônicos de uma época.


Por exemplo, desktops simples despojados apoiados em cavaletes de pinus, pequenos. A ausência de estantes enormes de livros e itens materiais classicos. A ausência de fixação e/ou embutimento de aparelhos eletronicos e eletrodomésticos.

Se por um lado esta indefinição financeira e psicológica pode ser um fator, maior ainda é a presença de elementos móveis e portáteis como notebooks, livros digitais, internet em excesso, smartphones (todo mundo se atualiza ué...) e portanto, encontra-se no layout e no design, a ausencia de necessidade de espaço para muitos livros e DVDs, Bluerays, MDVs) e abajoures enormes por exemplo: podem preferir pequeninos iluminadores descartáveis comprados no Shoppee que não funcionam e outras coisas desta natureza provisória. Nesse caso, também não teremos uma linha pesada "boomer" de estantes enormes abastadas, mais tipicas da geração X, e as cozinhas são também menores - uma tendencia do mercado imobiliário, que só vai aumentando, enquanto as casas e os salários diminuem.


Itens típicos


É importante entender que o que define é a época de consumo, não a época de nascimento, e por isso, a identidade estética do período é fundamental. Apesar de poderem todos mesclar novos itens, estamos falando de um estilo que já não é tão recente assim, ainda que super em voga.

Geometrias revitalizadas do aramado modernista bauhausiano, espelhos geométricos, pendentes aramadas misturando o modernismo com o high tech químico (veja este post clicando aqui), mesas sobre cavaletes ou aramados, lampadas e mesas de geometria cristalina, cadeiras Eames, vasinhos e plantinhas todos pequeninos e delicados como os botões touch das telas, e inclusive, parte do urban jungle, recortes de decoração paramétricos em router/cnc, cabeças de bichos (ecletico também), e muitos quadrinhos e almofadas com imagens, icones e frases, fazendo o serviço dos bottons nos anos 80, e das camisetas ao longo do séc XX e XXI.

Interessante também é o fato de que a baixa resolução (low poly) proposital usada como estética nos elementos decorativos, traz em si o significado da low poly do assentamento psicológico. Esta estética atingiu o final da geração X e em cheio os Millenials. O boom de penduricalhos em papelão com recortes paramétricos, derivados dos MDFs 4mm ou 6mm cortados a laser, dinossauros e kits de brinquedos de montar em 3D, também se instalou nas paredes como cabeças de bichos não só paramétricos, mas na forma de geometrias vetoriais de baixa resolução. E isso obviamente não está relacionado aos programas vetoriais: CorelDraw já existia desde antes de 1993, quando essas geração estava de fraldas. É mais provavelmente, resultado de uma mescla sensorial sobre o cristal das telas por todos os cantos, de uma indefinição com relação a percepção estrutural do mundo e seus elementos, mas também um apelo e valorização pela falta de informação. A adoração pela desinformação é uma consequência que surge como efeito colateral de um mundo de excessos, onde quase nada é aproveitado, devido a total efemeridade do cenário. Eu arriscaria dizer que a palavra chave para a decoração Millenial, é "provisório".






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