Estilo Decor - Geração X

Os novos Boomers


Eu sempre gosto de associar um estilo estético ao contexto do grupo em questão. A geração x, que não é definitivamente a geração Baby Boomer (que é uma geração específica super abastada americana e não se aplica a todos os países), mas é jocosamente chamada de boomer pelos mais novos, é atualmente uma geração relativamente assentada economicamente, com padrões estético em grande parte influenciados pelos anos 80 e 90, um pouco dos anos 2010 e em geral, atualizados tecnologicamente (faço parte desta geração).


Em se tratando de boomer, pode de certa forma significar economicamente resolvido - do ponto de vista de quem está caminhando para a vida adulta, e por isso em fóruns e debates nas redes sociais, podemos apreciar os falantes de liíngua inglesa sempre apelidando os "mais velhos e conservadores" de boomers, em tom jocoso. Isso é reflexo sim de uma postura econômica e social, inclusive, que vai incidir nas imagens de decoração, ícones, texturas, linguagens. Não é portanto, uma geração super tecnológica que cresceu sob a tutela do Google; Por isso, em muitos casos há espaço generoso para bibliotecas, e coleções de vinil, quadros de acrílico grandes, abstratos, peças provocativas de cunho sócio-político, e etc. Vale lembrar que é a geração que era criança quando o muro de Berlim caiu, e portanto, tem um pezinho na cultura da guerra fria, e a maioria acha legal a musica "We dont need another hero" e adora a refilmagem de Mad Max...


Painel vazado

O momento de pico de assentamento econômico desse grupo coincide com o surgimento dos leds em grande escala, e usinagens 3D incipientes: routers 3D e 2D, desenhando e recortando MDFs em divisórias com desenhos complexos gerados em computador. E ainda que o muxarabi seja inicialmente conhecido por nós de origem árabe, ele é também chinês, talvez muito mais antigo. Aqui no Brasil, foi uma expressão consolidada pelo modernismo, com o cobogó que é a mesma coisa, só mudando a geometria, e de forma mais simbólica e antiga, no imaginário, a renda portuguesa como item vazado, cortinas e bordas, grades de carruagens imperiais, etc. Também fazem parte deste momento, os cortes a laser em chapas de aço, muito caros, mas existentes sim, para quem podia (e pode) pagar.


Impressão 3D?


Ainda não. Essa já é uma aquisição das próximas gerações, com a disseminação de impressoras 3D de uso doméstico e industrial.


TV de Led, sério?


Atualmente é muito simples e comum, mas foi nessa geração que as tvs passaram na escala industrial de tubo para slim, gerando assim os tão conhecidos painéis de TV, que quando existentes na geração dos 80s e 70s, eram embutidos os tubos na parede... com tamanhos que não chegavam tanto a 40 polegadas, ainda.


Atualmente, com tvs gigantescas, o próprio desenho dos painéis para emoldurar telas não tão enormes já muda, pois eles faziam uma ponte entre a TV perdida eventualmente numa parede enorme, para não ser poluída com quadros e outros penduricalhos ao redor, desviando a atenção da mesma, enquanto que essa mesma moldura é um suporte que eleva e evidencia a grande aquisição da época: TV de tela plana...


LED, sanca no gesso e nos móveis? Pode?


Os LEDs vieram para ficar. Mas antes deles, haviam os cordões de iluminação, analógicos e de filamento, esquentavam mas geravam uma moldura linda amarelada aconchegante, sem a miserável horrenda frequência de 60Hz das redes que destroem os olhos e o psicológico. E foi nesse período que se consolidaram, abrindo as portas para os LEDs que já existiam mas não estavam difundidos nesse sentido. Obrigado China...


Cadeiras injetadas de plastico


Além das cadeiras de acrílico tão famosas nos anos 70 e 80, além do design plastico dos 60, houve um revival das cadeiras de plastico injetadas, principalmente em polipropileno (PP) e poliuretano (PU), em grande parte por causa do comércio com a China suprindo os desejos ocidentais, copiando modelos patenteados antigos e ignorando qualquer limite, a citar por exemplo, a famosa Eames, a Ghost, além de ainda manterem e darem acessibilidade às de acrílico como a Luiz/Sophia/Carlota e similares,com tantos nomes comerciais que já não sabemos mais como chamá-las . A acessibilidade destes e novos modelos nos trouxe muitas alegrias...


MDF/MDP


Apesar de o MDF já existir ha algum tempo, foi nesse período e um pouco antes que bombaram e substituíram os móveis de compensado formicados (super anos 60 e 70) e nos trouxeram uma infinidade de texturas e padrões de puxadores e revestimentos. Não confundir MDF com MDP: o primeiro é de média densidade, de ótima qualidade em geral, e o segundo é o famigerado aglomerado, de lojas como Casas Bahia, TOK STOK, Etna, Italínea, etc. Bonitos por fora, farelentos por dentro.





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