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  • Foto do escritorGabriel Noboru Ishida

Estilo Decor - Decoração mineira

Atualizado: 18 de jan. de 2023


É um estilo muito familiar para moradores da região sudeste e centro oeste do Brasil. Aparentemente, a arquitetura de interiores mineira contemporânea é a mesma que a da brasileira colonial. Entretanto há algumas diferenças, apesar de a primeira ter origem, naturalmente, na segunda.

A diferença, apesar de terem a mesma origem cronológica e tecnológica, é a vibe: o povo de minas é lindo, sempre sorrindo, alegre, simpático livre leve e solto! A contemporânea, inevitavelmente agregará elementos mais recentes, mantendo a atmosfera rústica e colorida. A primeira, deve ter um vocabulário bem específico para que se possa ser categorizada como colonial. Qualquer elemento marcante que se destaque fora dessa linha, imediatamente atualiza para contemporânea, na proporção em que aparecem, ou poderá ser enquadrada em algum regionalismo, por exemplo, o nordestino.

Em primeiro lugar, é importante citar que o Barroco mineiro teve grande influência na formação deste distinto bloco cultural. Em parte, porque a riqueza do período minerador e a presença da cultura africana que sempre teve apreço por cores, foram fortes vetores. E por outro, essa mesma riqueza e período histórico, com sua opulência ruidosa visual, também permitiu uma percepção cheia de elementos decorativos em todos os ambientes - diferente do que aconteceu em São Paulo com os casarões mais europeus e menos coloridos, com itens não tão trabalhados nas cores, mas prevalecendo o madeirado, o branco caiado, e algumas cores eventuais, com influências prioritariamente portuguesas e depois francesas.

Enquanto São Paulo, Rio e Sul tinham seus olhos mais voltados para França, Minas já tinha sua própria identidade e já era a maior cidade da America Latina, la para os anos de 1730.

Itens domésticos, casas de pau a pique, paredes vermelhas, cobre, ágata, bicharada. Era um ambiente muito vibrante e cheio de vida, como ainda é hoje.

E apesar de o artesanato das bonecas de bustos de moças apoiadas nas janelas serem algo contemporâneo, os armários de madeira maciça, elementos em ferro batido e artesanatos mais coloridos ganharam presença com o passar dos anos, até o ponto em que a cultura decorativa da casa mineira contemporânea pudesse dar origem a uma mescla anacrônica contemplando os itens originais e o artesanato de inércia histórica, mas contemporâneo: ou como diriam os críticos, um braço do "kitsch", infundido no verdadeiro estilo caipira, tão bem adaptado que é difícil separar um do outro.

Vale considerarmos, talvez como ponto principal, que a maior concentração de negros estava em Minas, e com a riqueza da mineração, a maior concentração de negros livres também estava em Minas.

Somando-se a esse fator, os "negros das casas" que tinham uma realidade bem diferente dos que viviam na lavoura, marcavam sua presença na cozinha e sala de jantar: ambientes de grande permanência, que permitiam que inserissem seu tempero cultural e gastronômico em diversos níveis - o local já estava tomado na prática. E como foi bom!

Por isso, com extrema frequência assistimos a decoração mineira dessa forma colorida e vibrante, naturalista, como a arte naive, associada a itens de cozinha da roça, que tem o mesmo nível tecnológico e iconografia que as cozinhas das casas grandes do período colonial. Esse sincretismo da cultura brasileira com ritmo e a vibração africana, também muito ou mais rica cromaticamente, mais alegre e mais descontraída, era também muito menos eurocêntrico, e bem aceito pelos senhoras de engenho tanto quanto por pessoas de menor calibre social da época.

Ainda permeando todo este contexto, temos uma camada neutra adicional e anacrônica que é a cozinha européia medieval, repetindo assim o nivelamento tecnológico e icônico, se miscigenando de forma invisível. O colonial é esta cozinha medieval européia, e a mineira é ela com vestes e adornos africanos e brasileiros, e também indígenas, obviamente.

Vemos assim, as mesmas panelas de cobre penduradas, talhas de ceramica, defumados e outros itens similares, mas num ambiente ventilado, colorido e leve.

Podemos citar a presença de madeiras maciças trabalhadas em machado, louças de ágata, galinhas de angola reais e decorativas, panelas penduradas de cobre e ferro, decorações de ferro batido, pintadas ou não, paredes coloridas, vitrais, forros de palha trançada, tapetes de couro de boi trabalhados, azulejos coloridos e ladrilhos. E também tijolinhos, cortininhas, panos de mesa, toalhas, rendas, e muito tecido ornamentado com padrões que fundem o capira com o africano e o português. Forno a lenha, piso de vermelhão, mesa de madeira maciça com gavetinhas, cadeiras com cores diversas... Esta linguagem criada em Minas é um vasto e sorridente universo. Em grande parte, seus ícones decorativos ao estilo artesanato são todos contemporâneos, podemos arriscar afirmar. Repetindo elementos reais da cozinha original, como a galinha de angola, galos pulando na mesa, bananas e arranjos de alho e pimentas penduradas.

E para concluir, é evidente que o centro da vida social mineira era e ainda é a cozinha, formato que é compartilhado por praticamente todas as cidades braseiras. E por isso, quando se fala de decoração mineira, praticamente fala-se de cozinha mineira. Sabor de café e pão de queijo, e Romeu e Julieta!








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