• Gabriel Noboru Ishida

Estilo Decor - Decoração mineira


Pode até parecer que muita gente conhece, mas não é verdade. A maioria das pessoas não sabe diferenciar a arquitetura de interiores mineira da colonial. Até porque, são em sua origem, a mesma.

A diferença, apesar de mesma origem cronológica e tecnológica, é a vibe: o povo de minas é lindo, sempre sorrindo, alegre, simpático livre leve e solto!

Em primeiro lugar, é importante citar que o Barroco mineiro teve grande influência na formação deste leque cultural. Em parte, porque a riqueza do período minerador e a presença da cultura africana que sempre teve apreço por cores, foram fortes vetor cromático. E por outro, essa mesma riqueza e período histórico do barroco, com sua opulência ruidosa visual, também permitiram uma percepção mais cheia de elementos decorativos em todos os ambientes, diferente do que aconteceu em São Paulo com os casarões mais europeus e menos coloridos, com itens não tão trabalhados nas cores, mas prevalecendo o madeirado, o branco caiado, e algumas cores eventuais.

Enquanto São Paulo, Rio e Sul tinham olhos voltados para França, Minas já tinha sua própria identidade.

Itens domésticos, casas de pau a pique, paredes vermelhas, cobre, ágata, bicharada. A percepção da casa de campo mineira era mais vivaz, aparentemente. E apesar de o artesanato das moças apoiadas na janela ser algo contemporâneo, os armários e elementos em ferro batido e artesanatos mais coloridos ganharam presença com o passar dos anos, até o ponto em que a cultura decorativa da casa mineira contemporânea fizesse uma mescla anacrônica do caipira-kitsch-fake com o verdadeiro caipira.

Vale considerar, como talvez ponto principal, que a maior concentração de negros estava em Minas, e com a riqueza da mineração, a maior concentração de negros livres estava em Minas. Por isso, supõe-se que a cultura visual mais colorida do negro e maiores liberdades nos ambientes de produção - como a cozinha! - a partir da cultura africana-brasileira, foram os responsáveis pela implantação de uma riqueza visual cromática e decorativa maior, mais alegre, mais descontraída, e muito menos eurocêntrica.

Então, podemos citar a presença de madeiras maciças, louças de ágata, galinhas de angola, galinhas decorativas, panelas penduradas de cobre e ferro, decorações de ferro batido, pintadas ou não, paredes coloridas, vitrais, forros de palha trançada, tapetes de couro de boi trabalhados, azulejos coloridos e ladrilhos, tijolinhos, cortininhas, panos de mesa, toalhas, rendas, e muito tecido ornamentado com padrões capiras-africanos-portugueses. Forno a lenha, piso de vermelhão, mesa de madeira maciça com gavetinhas, cadeiras com cores diversas... é um universo vasto, esta linguagem criada em Minas.

E para concluir, é evidente que o centro da vida social mineira era e é a cozinha, formato que é compartilhado por praticamente todas as cidades braseiras. E por isso, quando se fala de decoração mineira, praticamente fala-se de cozinha mineira. Sabor de café e pão de queijo, e Romeu e Julieta!





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