Sustentabilidade e arquitetura e urbanismo

 

Para podermos abordar a questão dentro da arquitetura e urbanismo, devemos ter a clareza necessária para distinguir que nem tudo o que aparenta ser sustentável realmente pode ser chamado de sustentável ou ecologicamente correto.

Muitas empresas e profissionais atulmente valem-se do peso que a palavra tem para vender um produto que não tem nada de sustentável, ou quando deslocado deixa de ser por motivos que citaremos adiante.

Mas afinal de contas, o que é ser sustentável?

Uma definição muito próxima do conceito correto, segundo o Relatório de Brundtland (1987): sustentabilidade é "suprir as necessidades da geração presente sem afetar a habilidade das gerações futuras de suprir as suas".

Fica subentendido que sustentabilidade é um conceito relacionado à estrutura e ao funcionamento social e econômico em geral, e não à aparência externa dos produtos. Não é porque um material é “natural” ou “orgânico”, ou aparenta ser “green” que ele é realmente inserido num ciclo sustentável. O ciclo de produção, consumo energético, transporte e encadeamento sistêmico é que determina se um produto ou ação é sustentável ou não. A aparência, na verdade, pouco importa. Uma construção em vidro temperado é mais sustentável que uma construção com paredes de placas “verdes”, importadas da Europa. Simplesmente porque ao movimentar o mercado local e não incluir transporte, com consumo de combustíveis e energias no processo, acaba agredindo muito menos o ambiente ao gerar menos resíduos e menos esgotamento de fontes não renováveis.

Um exemplo válido e interessante é o vidro, comparado com a alvenaria. Para se produzir 1m3 de vidro ou de concreto, gasta-se aproximadamente a mesma quantidade de energia. Porém, o volume de vidro utilizado por m2 é muito menor que o do concreto e portanto, ele é mais sustentável. Além disso, é reciclavel, enquanto o concreto demanda muita energia para seu reaproveitamento. Segue-se a mesma linha de raciocínio para o aço, alumínio e afins.

Um projeto sustentável deve levar em conta diversos fatores, e o aspecto final não tem relação com sua inserção sustentável.

Aqui em Bauru, como em qualquer cidade, há empresas e mão-de-obra que produzem diversos produtos, ou agregam valor no próprio município, a partir de materiais comercializados com municípios próximos ou produzidos localmente.

A sustentabilidade em Bauru apresenta um nível razoável, pois no entorno imediado há uma quantidade considerável de empresas produtoras de materiais para construção civil, como olarias e siderúrgicas, além de estar conectada à malha ferroviária que é absolutamente e de longe, mais sustentável que as rodovias, assim como o transporte fluvial.

Em termos de urbanismo e arquitetura, devemos buscar soluções locais e produtos produzidos nas proximidades, ou com baixo consumo energético para seu transporte e/ou produção. Entretanto, essa abordagem é simplista, pois a cadeia produtiva é muito mais complexa e é muito difícil para o consumidor avaliar o custo ecológico de produção de um produto e sua aplicação, além de sua durabilidade que é também um fator importante.

Estas soluções devem ficar atreladas a decisões projetuais, sempre que possível, sem comprometer o custo da obra: na verdade, algumas soluções como a aplicação de coberturas em fibrocimento, acabam barateando a obra, pois reduzem o custo energético e o desmatamento.

Produtos derivados de remanejo ou reflorestamento como MDF, OSB, toras de eucalipto, pinus e pinho por exemplo, devem ser utilizados sempre que possível, uma vez que suas manufaturas e graus de resíduos produzidos são muito baixos.

Uma atitude importante é desvincular a aparência dos objetos de sua sustentabilidade real. Outra atitude que deve ser encorajada, e tão importante quanto desvincular-se das aparências “artificiais” de alguns produtos é esquecer o que um dia foi material de “pobre” ou “simples”, pois em nossa atualidade, esses conceitos são ultrapassados por valores muito mais abrangentes.

Na cidade de Bauru, por ter clima quente e inverno pouco rigoroso, também deve ser estimulado o uso de aquecedores solares para boilers. O investimento inicial também fica a mercê das possibilidades dos proprietários mas também, deve ser avaliado o custo de implantação de um equipamento em termos de consumo ambiental, mesmo porque, a energia elétrica no Brasil, especialmente no sudeste, tem (depois de implantada) um impacto ambiental baixo, e é renovável, e é preferível a soluções como aquecedores a gás.

Em arquitetura e urbanismo podemos citar os seguintes itens principais que envolvem decisões projetuais, com consciencia ecológica:

 

• Evitar agressões desnecessárias ao meio ambiente através da cadeia completa de construção, desde a fabricação dos produtos até sua aplicação final e manutenção;

• Reduzir consumos energéticos em edifícios em geral (terreos ou multipavimentos) através da eficiência de conforto térmico e luminotécnico;

• Aproveitamento de estruturas preexistentes, quando em termos projetuais e logísticos, se justifique;

• Planejamento territorial envolvendo a proteção de contornos naturais e manutenção de áreas permeáveis;

• Incremento da cobertura vegetal que auxilia no controle climático, reduzindo temperaturas no verão e aumentando no inverno;

• uso de equipamentos como torneiras e temporizadores que reduzem consumo de agua e energia elétrica;

• Preferência de mão-de-obra ou fabricação locais;

 

Além disso, a opção por atividades que possam ser exercidas em casa em escritórios residenciais, em locais de trabalho próximos onde se possa ir à pé, opção por transporte urbano (esse é um problema de qualidade e consequentemente, cultural...) e uso de transportes como bicicletas ou veículos leves sempre são bem-vindas para o ciclo e também, para a própria saúde - que não começa no corpo, mas na mente que o controla.

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